Essa matéria foi feita a pedidos de leitores. A síndrome de Cushing é muito comum em cães adultos, principalmente de algumas raças e – o que ninguém fala! – animais paraplégicos ou com histórico de crise de coluna ou alérgicos! Leia e tire suas dúvidas!

A doença de Cushing, também existente em humanos, é bastante comum em cachorros adultos. Contudo, pouco diagnosticada e com poucas informações. Em gatos é mais incomum, mas também pode acontecer. Também chamada de hiperadrenocorticismo, tem esse nome porque consiste na hiper (muito) produção de hormônio cortisol, produzido pela glândula adrenal.

Cortisol? Adrenal? Vamos com calma!!!!!! Adrenal é um órgão que fica próxima aos rins, que em humanos chama-se até de supra-renal. Rim é um órgão mais conhecido né?

Glândulas adrenais, também chamadas de suprarrenais (em humanos) são glândulas que, dentre outros hormônios, produz o cortisol.

Glândulas adrenais, também chamadas de suprarrenais (em humanos) são glândulas que, dentre outros hormônios, produz o cortisol.

Ok… Já sabemos então o que é adrenal. E o cortisol? Qual a função desse hormônio? Já ouviu falar em hormônio do estresse ou da “luta ou fuga”? Pois é! É ele. É um hormônio que prepara o corpo do animal (e o ser humano se inclui nessa classificação) para o estresse, o medo, uma agressão. Dentre as principais funções do cortisol estão:

  • mobilização de glicose para o sangue;
  • quebra de gordura;
  • inibição do anabolismo – formação de músculos ou ossos -;
  • aumento da pressão arterial;
  • diminuição do sistema imune.

Partindo das funções do cortisol podemos já pensar nos malefícios da hiperadrenocorticismo ou seja, do aumento anormal da produção do cortisol no organismo.

Causas e pré-disposição

A Doença de Cushing é considerada uma doença de cachorros e gatos de meia-idade ou idosos. Ela é muito mais incidente em cães, como dito anteriormente. A média de idade de aparecimento da doença varia entre 6 e 7 anos, mas também pode ocorrer na faixa que de 2 e 16 anos de idade. A doença atinge igualmente machos e fêmeas. Embora não haja estudos científicos comprobatórios, algumas raças parecem ter maior pré-disposição à doença:

  • Terriers (Yorkshires, Silkies, Bull Terriers e Boston Terriers)
  • Poodles
  • Dachshunds
  • American Eskimo Dogs/Spitz

Em gatos, a doença é bastante similar mas nos felinos, mais de 80% dos animais afetados também apresentarão diabetes mellitus.

Por que animais alérgico ou paraplégicos (ou com histórico) são mais pré-dispostos?

Atenção!!!! Isso seu médico provavelmente não vai dizer!!! Animais com lesão na coluna – seja por hérnia ou acidente – geralmente fazem uso de antiinflamatório corticóide durante a crise. O mesmo ocorre com animais que tem alergias – sejam de pele ou respiratórias.

Mesmo prescritos por médicos e com acompanhamento, corticóides tem muitos efeitos colaterais. Desde problemas respiratórios até a síndrome de Cushing.

Estamos falando para não fazer uso dos corticóides durante as crises do seu pet? Não!!!!! Estamos falando pra você evitar o uso desses medicamentos; quando for necessário, usá-lo com acompanhamento médico e pelo tempo e dose recomendadas; e ficar de olho no seu pet que faz/fez uso.

Tipos da doença

Existem duas formas distintas da síndrome de Cushing:

  • PDH (Pituitary dependent hyperadrenocorticism), a dependente da pituitária

    A forma PDH está relacionada ao excesso de produção de ACTH, que é o hormônio produzido pela Pituitária ou hipófise, que vai estimular a glândula adrenal a produzir glucocorticóides. Esta forma da doença é responsável por cerca de 80% dos casos de hiperadrenocorticismo em cães.

  • ADH (adrenal dependent hyperadrenocorticism), a dependente da adrenal

    Esta forma da doença geralmente está relacionada à um tumor adrenal que causa um aumento na produção de glucocorticóides. Tumores da adrenal são responsáveis por cerca de 20% dos casos de síndrome de Cushing. Também existe a Iatrogenia, que ocorre quando os animais recebem altas doses de esteróides como os corticóides. Nesta forma da doença, na maioria das vezes os sintomas desaparecerão uma vez que os esteróides parem de ser administrados.

 

Sintomas

O cortisol é um hormônio com muitas funções. Por isso os sintomas do aumento da sua produção são muito diversos. Seu animal pode apresentar um ou mais sintomas. Os sintomas mais comumente observados em pets com a doença no início, incluem:

  • Sede e micção aumentadas (que pode levar ao sintoma de incontinência urinária)
  • Aumento da respiração rápida
  • Ganho de peso na área abdominal, apesar da redução nas calorias da dieta
  • Pele mais fininha (adelgaçamento) e mudança na pigmentação da pele, de rosada à cinzenta ou mesmo escurecida; presença de equimoses (pequenos hematomas)
  • Perda de pêlos
  • Fome e sede muito intensas
  • Irritabilidade ou agitação, mudança de comportamento
  • Doenças infecciosas frequentes

O último sintoma geralmente é o que mais leva os pets ao veterinário. As infecções podem ser gastrointestinais, urinárias ou de pele e se dão pela baixa imunológica que ocorre pelo aumento do hormônio cortisol.

Animal com hiperadrenocorticismo, com sintomas visíveis de pele e pêlos fracos, barriga grande.

Animal com hiperadrenocorticismo, com sintomas visíveis de pele e pêlos fracos, barriga grande.

Outro sintoma que geralmente leva o pet a ser investigado para doença de Cushing é a elevação de enzimas hepáticas alanina aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (FA). Contudo, muitos médicos não desconfiam da doença quando encontram esse quadro e fazem o diagnóstico de doença hepática, fazendo o tratamento para ela.

A elevação dessas enzimas pode se dar como sintoma da doença de Cushing uma vez que o fígado fica sobrecarregado com o excesso de cortisol no sangue.

 

Diagnóstico

Lembrem-se que enzimas hepáticas alteradas podem indicar doença de Cushing. Se isso aparecer no exame periódico do seu pet, questione o veterinário sobre a possibilidade!

O diagnóstico da síndrome pode ser complicado de se obter. É realizado tipicamente por exames de sangue como o “teste da estimulação com ACTH” e o teste de supressão com uma dosagem baixa de dexametasona. Ambos os testes requerem pelo menos duas coletas de sangue para comparar os níveis de cortisol no corpo do seu cão para o diagnóstico definitivo da Doença de Cushing.

Uma possível alternativa mais barata é a dosagem de cortisol urinário, na primeira urina da manhã, ou fosfatase alcalina induzida por glicocorticoide.

Quando o hiperadrenocorticismo for diagnosticado, é importante determinar se é de dependente da glândula adrenal ou da hipófise. Geralmente isso se dá por ultrassonografia abdominal. Essa pesquisa é fundamental para se determinar o tratamento da doença.

 

Tratamento

Quando diagnosticado tumor na adrenal, esse pode ser removido cirurgicamente. Contudo, a maioria dos casos de doença de Cushing é dependente da hipófise. Ou seja, o tratamento é exclusivamente medicamentoso, para o resto da vida do animal.

Os sintomas podem demorar bastante para diminuir mas isso não significa que o tratamento não esteja funcionando. Continue! Seu pet poderá ter uma vida normal!