Seu idosinho mudou comportamento com a idade? Veja o que é normal e o que não é, e o que pode ser feito.

Síndrome da disfunção cognitiva canina – o que é?

A síndrome de disfunção cognitiva canina (SDCC) é semelhante ao Alzheimer humano. Muito semelhante sim!!!! A causa é a mesma: o depósito de proteínas beta amilóides no cérebro. A agregação dessa proteína é tóxica e mata neurônios, as células do cérebro, o que diminui a capacidade cognitiva. Mas o qua causa esse depósito? São muitas as causas mas ainda não bem estabelecidas, principalmente para cães. A primeira, óbvia, é o envelhecimento. Nossos cães estão vivendo mais (ainda bem!). De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), em 2004 a expectativa de vida dos cães era de aproximadamente 7 anos. Ou seja, o início do ciclo idoso. Em 2004 poucos cães chegavam à velhice. Com isso, poucos desenvolviam doenças típicas da velhice como as doenças cardíacas (que já fizemos uma matéria sobre ela) e a SDCC. Hoje a expectativa de vida dos nossos cães chega a 18 anos!

Outras causas podem ser apontadas como alimentação, obesidade, sedentarismo, pouca estimulação cognitiva. Isso por extrapolação pelos do Alzheimer humano, porque para o canino não há muitos estudos a respeito ainda.

 

Quais os sintomas?

A doença é pouco diagnosticada exatamente porque os donos e veterinários acham que é “sintoma da idade”. Mas os sintomas que iremos apontar vão além do natural para a idade. Não necessariamente pode aparecer todos, mas quanto mais sintomas, mais afetado está pela doença. São eles:

  • olhar vazio ou para objetos inanimados;
  • alterações de personalidade;
  • quietude;
  • depressão, agressividade, agravamento de medos e fobias;
  • deficiente capacidade de formar novas memórias a curto prazo, o que leva os cães a manifestarem comportamentos repetitivos, como pedidos de atenção, de comida ou de passeio e dificuldade em aprender novas tarefas;
  • perda de comportamentos aprendidos como não roubar comida, comandos aprendidos, não subir no sofá, etc. Muitas vezes não é porque ele ficou mimado com a idade. Pode ser que ele tenha se esquecido que não pode, e não consegue mais aprender;
  • perda dos padrões de inibição social, que faz com que ele urine ou defeque em locais que ele nunca faria como próximo da comida ou onde dorme;
  • se locomover menos pela casa, muitas vezes porque não se lembra dos cômodos;
  • ficar “preso” em cadeiras, corredores, porque não se lembra como sai.
  • Deficiências neurológicas específicas, com perda de proprioceção, défice sensorial, e manifestando, por vezes, cegueira ou surdez central;
  • desorientação mesmo em ambientes conhecidos;
  • não reconhecimento de pessoas, em casos graves até mesmo o dono;
  • sono anormal – dormem durante o dia e podem ter comportamento ativo de madrugada;
  • late sem motivo.

A doença é progressiva. Com o tempo os sintomas podem se agravar ou se somar, aparecer novos sintomas.

A doença é progressiva.

A doença é progressiva

Diagnóstico

Assim como no caso humano, o diagnóstico pode ser bem complicado. Geralmente se dá por avaliação de um neurologista apenas. Mas exames de imagem como tomografia e ressonância magnética podem ser realizados para ajudar no diagnóstico. Contudo, raramente são pedidos.

 

Tratamento

Infelizmente, assim como no caso humano, não há tratamento para o Alzheimer canino. Deve-se estimular o animal até o limite dele. Como assim? Se ele se mostrar irritado com brincadeiras e estímulos, não force. Se ele permitir e se mostrar a vontade, ótimo.

Atividades físicas são indicadas também respeitando a mesma indicação acima: se ele se mostrar perdido, desorientado ou irritado com a prática não deve ser feita ou pouco.

O ambiente do animal pode ser facilitado. E aqui vão algumas sugestões:

  • diminuindo a área que o animal se locomove, para ele ter que memorizar menos locais e se sentir mais confortável neles;
  • evitar locais que ele possa se “esquecer” como sai de uma área que bate sol;
  • colocar água e comida em diversos locais da casa pois ele pode esquecer onde fica.

Em casos graves alguns medicamentos de apoio podem ser utilizados com orientação do neurologista.

 

No mais, o que podemos dizer é: paciência e amor. Aceite a nova fase do seu cachorro, uma vez que ele já te deu tanto amor. Ele merece esse carinho de você. Aceite seu bebê velhinho e esquecido. Relembre todos os dias o seu amor por ele. 😀

A neurologista que atende o Petit está suspeitando de SDCC. Só podemos ter mais paciência e carinho. Mais ainda que já temos.

A neurologista que atende o Petit está suspeitando de SDCC. Só podemos ter mais paciência e carinho. Mais ainda que já temos.