Carrapatos não são apenas um risco visível! Eles transmitem doenças silenciosas que podem levar a morte! Apenas um carrapato já é suficiente! Leia!

Quando resgatamos Vida ela estava com carrapatos caindo de gordos dela. Não tinha nem mesmo espaço pra ver a pele dela, de tando carrapato! Nunca tinha visto algo assim!

Na clínica que ela ficou internada, descobrimos que a fratura na coluna e o traumatismo craniano (não diagnosticado) não eram os mais preocupantes: Vida estava muito doente, tinha as 3 doenças do carrapato em estágio muito avançado. Estava muito magra e anêmica. Ficou um mês internada, venceu a morte.

 

Carrapatos
Vida estava assim quando resgatada, só que no corpo INTEIRO.

Vida estava assim quando resgatada, só que no corpo INTEIRO.

Esses bichinhos infernais são parasitas de diversos animais, incluindo nossos queridos pets: cães, gatos, entre outros. Eles podem estar no meio ambiente ou hospedando outros animais. Ambientes com grama, gado, arbustos, estofados e capetes podem estar cheios de carrapatos!

Carrapatos ficam na pele de seus hospedeitos, sugando o sangue deles. Só por isso já os tornam um perigo. Um carrapato não tira muito sangue do hospedeiro, mas imagine mais de 500 (como os que tiramos manualmente em Vida). É muito sangue roubado! Mais perigoso que isso são as doenças transmitidas pelos carrapatos, causadas por bactérias, vírus ou protozoários, as mais comuns: babésia e erlíquia.

 

Achei um carrapato! O que fazer?

Se você encontrar um carrapato no seu pet não tente tirá-lo com a mão. Retirando o parasita de forma incorreta, parte dele pode permanecer no meu pet, o que pode causar infecções. O mais correto, se você não tem experiência, é aplicar algumas gotas de vaselina ou de parafina ao redor do carrapato, esfregar com cuidado até amaciar a pele e depois tentar retirá-lo. Há no mercado algumas pinças próprias para retirada de carrapatos em lojas de pets.

Repare que parte do carrapato está penetrada na pele do hospedeiro. Por isso a retirada do parasita deve ser cautelosa, para que ele saia por inteiro.

Repare que parte do carrapato está penetrada na pele do hospedeiro. Por isso a retirada do parasita deve ser cautelosa, para que ele saia por inteiro.

Após a retirada do carrapato, esse deve ser mantido em álcool. Eles são bem resistentes. Não conseguirá matá-lo com a unha, como muitos fazem! Tem gente que além de manter em álcool, coloca fogo! Não precisa tanto. Apenas o alcool, por alguns minutos, será suficiente para matá-lo.

Achando carrapatos no seu pet, você deve tratar contra ovos e outros adultos. Falaremos disso ao final da matéria. Mas, além disso, você deve ficar de olho em possíveis sintomas e alterações no hemograma do seu pet pois, como dissemos, carrapatos transmitem doenças.

 

Erliquiose ou Anaplasmose

A erlíquia ou anaplasma atacam principalmente glóbulos brancos do sangue, baixando a imunidade do animal, permitindo que outras doenças se instalem – como a cinomose. Recentemente recebemos um relato exatamente sobre isso: um cachorro vacinado, próximo de tomar o reforço anual da vacina, teve a doença do carrapato erliquiose. Com isso sua imunidade baixou e a cobertura vacinal (que já estava próximo de vencer) não impediu que ele pegasse cinomose. Atualmente ele está tratando as sequelas da cinomose como a tetraplegia!

A erliquiose pode se apresentar de três formas:

Aguda: no local da picada até o baço, o fígado e os linfonodos pode ter edemas. Esse edema é incomum, geralmente não há sintoma agudo e a doença se torna subclínica, com baixa no número de plaquetas (trombocitopenia) branda; vasculite; a presença de anticorpos antiplaquetários podem exacerbar a trombocitopenia; baixa nas células de defesa (leucopenia) variável; anemia branda; a gravidade da doença depende do micro-organismo (diferente da babesiose).
Subclínica: o micro-organismo persiste e com isso a resposta dos anticorpos aumenta (hiperglobulinemia); também ocorre a persistência da trombocitopenia.
Crônica: a diminuição na produção da medula óssea (plaquetas e supressão da produção das células vermelhas do sangue – hemácias);

 

Os sintomas são a letargia, depressão, redução ou perda do apetite, perda de peso, febre. Nos casos mais avançados (e geralmente quando se diagnostica a doença) pode causar sangramentos espontâneos, dificuldade respiratória, incoordenação motora, inclinação na cabeça e dor ocular.

O tratamento se dá com antibióticos e acompanhamento semanal do hemograma. Casos graves como o da Vida necessitam até mesmo de transfusão sanguínea.

 

Babesiose

A babesiose é também uma doença transmitida pelo carrapato de muita gravidade e, diferentemente da primeira, a Babésia pode ser transmitida pela placenta para os filhotes. Ou seja, a mãe portadora da doença contamina seus filhotes no útero ainda.

A babésia  ataca as células vermelhas do sangue, fazendo com que elas estourem, causando uma grave anemia hemolítica. Quanto mais parasita tiver, maior a gravidade da doença.

Os sintomas podem ser os mesmos da erliquiose, acentuando a fraqueza e apatia. Além desses, soma-se dor muscular, calafrios.  O tratamento, o mesmo também.

 

Doença de Lyme

Essa doença ficou conhecida pelo grande pública porque a cantora Avril Lavigne sofreu com ela. Ou seja, a doença também atinge humanos!!!!

A doença se desenvolve até meses após a picada do carrapato e tem como sintomas febre alta, inchaço nas pernas, principalmente gânglios e articulações, dor muscular, letargia. Pode causar problemas cardíacos e glomerulonefrite.

 

Febre Maculosa

Não! A febre maculosa não afeta os cães ou gatos, mas seres humanos. É uma doença grave, de evolução rápida e letal. O tratamento com antibióticos, quando no inicio, pode ser eficiente. Por isso a importância de se evitar carrapatos nos seus pets. O risco é pra eles e pra você!

 

Como tratar e evitar carrapatos?

Hoje em dia há tratamentos muito eficazes que atuam também na prevenção da infestação por carrapato (e pulgas, alguna até sarna!): comprimidos orais que garantem 1, 2 a 3 meses de proteção. Ainda são um pouco caro mas recomendamos fortemente esses pois, a alternativa, são os remédios de uso tópico. Aquelas ampolas que se coloca no pescoço do animal. Elas são antigas… muitas pulgas e carrapatos já são resistentes a elas. E mesmo que não sejam, elas não protegem a longo prazo o animal, apenas matam os parasitas que estão na hora, não evitam reinfestação.

Quando o animal está infectado, provavelmente o ambiente também está (ou locais que ele frequenta). Logo, apenas matar os parasitas do momento não oferece uma boa proteção. O barato acaba saindo caro pois você terá que comprar nova ampola, e nova, e nova…

 

ATENÇÃO!!!!! DICA MEU PET ESPECIAL

Os preventivos/ tratamentos orais que citamos, ou mesmo os tópicos, ou mesmo qualquer remédio novo que irá administrar no seu animal, a nossa recomendação é que faça em um dia que seu veterinário de confiança trabalhe e que o animal não fique sozinho, para que alguém observe possíveis efeitos colaterais.

Por mais que todos falem que esses medicamentos são seguros, nenhum medicamento é 100% seguro. Ou seja, evite dar um medicamento para o seu pet e sair de casa.

Imagem retirada do site da Frontline

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