Essa matéria – comemorativa do dia dos avós – foi baseada na história da Mariana Siebert, da Página do Darci, e seu cãozinho adotado Jorge. Sua evolução da idade, seus cuidados na velhice e sua partida, o quanto que cada um aprendeu com o outro e amou o outro. Uma história linda de cumplicidade e respeito à idade. 

A história de amor entre Mariana e Jorge começou em dezembro de 2009. Antes do primeiro encontro, Jorge foi encontrado por uma protetora, vagando arisco em uma rua movimentada. Corria pra lá e pra cá visivelmente perdido. Ela tentou resgatar mas cadê que ele deixava?! Corria, fugia, dava voltas… Mas como era velhinho, a idade pesou e ele acabou se rendendo… Perguntando nos arredores, a protetora descobriu que o cão tinha sido abandonado por um carro naquele mesmo dia. Provavelmente pela idade, né? Infelizmente isso é comum: pets descartáveis.

Onde que entra Mariana nessa história? Pois bem. O lar temporário da protetora não deu certo. Destino!!!! Ela tinha outros cachorros que não se deram com Jorge. Mariana, então, ofereceu lar temporário ao cão. Temporário, né? Ah-ham… conhecemos esse papo!!!! Aconteceu comigo e com Vida também. hehehe

Jorge no dia que chegou na casa da Mariana

Jorge no dia que chegou na casa da Mariana

Jorge foi então levado ao veterinário e foi estimada idade de 12-15 anos, mas gozava de boa saúde, fora os dentinhos, a maioria quebrados ou faltando. Foi castrado, vacinado e com o tempo ganhou peso. Jorge foi ficando no lar temporário… ficando… ficando… E ficou definitivamente na família da Mariana. Ela pensava: “vamos dar um finalzinho de vida digno ao nosso velho, né?”. Mal sabia ela que seria muito mais que um final de vida digno a ele, seria uma lição de vida e amor para ela mesma!

Jorge sempre foi alheio às atividades da casa, muito pela idade. Contudo não significa que ele era apático: era muito carinhoso e amava dormir encostado nos imãos.

Jorge dormindo juntinho com um dos seus irmãos.

Jorge dormindo juntinho com um dos seus irmãos.

Ele não gostava de dormir só com os irmãos… Amava dormir agarradinho com os pais também! E vice-versa…

Jorge amava dormir com os pais. Mas só o Jorge? rsrs Uma imagem prova tudo!

Jorge amava dormir com os pais. Mas só o Jorge? rsrs Uma imagem prova tudo!

Mas a idade chega… Mais ou menos dois anos depois de muito amor, houve o primeiro episódio triste: Jorge teve uma crise: começou a berrar, correr, bater com a cabeça na parede e convulsionar. Ao longo dos anos foram 5 crises dessas, que desconfiaram ser AVCs (mas sem diagnóstico). A cada crise seu comportamento idoso piorava, cada vez ele ficava mais “caduco”, como conta Mariana: “andava muito em círculos, ficava no sol até “torrar” se não fossemos buscar/levantá-lo, se “trancava” nos cantos da casa, de cara com a parede, como se tivesse preso, já estava com a visão bem ruim e não ouvia mais nada também”.

Com o tempo Jorge ficou muito dependente o que, pelo destino, foi providencial para a vida de Mariana pois ao mesmo tempo ela passou por um quadro depressivo. “Sem ele, não sei se eu levantaria da cama nesses dias que eu estava muito ruim. Era preciso, eu não tinha escolha. Ele dependia de mim” – conta Mariana.

Com o tempo Jorge não controlava mais as necessidades e comia com muita dificuldade

Com o tempo Jorge não controlava mais as necessidades e comia com muita dificuldade

Mariana e o marido tinham uma rotina pesada com o Jorge: limpar xixi, forçar comida, dar água, limpar caminhas, fazer com que ele não se machucasse, não batesse com a cabeça, levantar ele cada vez que caia, dar banhos quando caia em cima das necessidades etc. Adaptaram a casa pra ele, mas ele continuava se machucando. Então ganharam um chiqueirinho de criança, todo estofado, pra colocá-lo quando saia de casa, pra não se machucar. E foi ali, nesse “lugar seguro”, que ele partiu.

Última foto no chiqueirinho dele.

Última foto no chiqueirinho dele.

Em um dia de sol, em 2011, Mariana colocou Jorge em seu chiqueirinho no jardim para que ela se arrumasse. Não demorou mas quando voltou encontrou seu velhinho morto. Mariana conta que chorou muito e se debruçou pedindo desculpas, como se a culpa fosse dela. Não era, claro! “Eu achei que estava preparada. Desde 2009 eu achei que estava preparada. Mas a gente nunca tá.”

Descansando em paz, Jorge.

Descansando em paz, Jorge.

Triste a história? Não. Linda. Pois toda passagem gera aprendizado. E Mariana, com a experiência vivida com Jorge escreveu o que ela aprendeu com seu cão idoso:

“Aprendi com esse anjo a ser paciente. Aprendi a ver um lado dos idosos que eu não via. Aprendi a amar acima de todos os defeitos e aparências. Aprendi também, que as pessoas não respeitam e rejeitam os mais velhos. Riem de seus defeitos, como se nunca fossem ficar assim. Aprendi a não ter pena dele; ele não era digno de dó, mas sim de admiração, por ter lutado contra o tempo de maneira tão gentil e tranquila. Ele não estava sofrendo quando as pessoas falavam “que pena dele, por que não eutanasias ele?”. Porque ele quer viver, oras! Porque ele não sente dor! Porque EU posso remediar todo o possível desconforto dele, por enquanto. Cães (e a maioria dos animais) não tem o lado psicológico complexo como o nosso, eles aguentam não ter uma pata, ser manco, ficar cego ou surdo. Eles aceitam, eles se adaptam. Eles não vivem pelo o que eles não tem, e sim pelo o que eles tem.”

Jorge em sua passagem na vida da Mariana contribuiu imensamente. Quando dizem que nós tutores, que salvamos a vida dos nossos pets, é mentira. É uma recíproca.

Jorge em sua passagem na vida da Mariana contribuiu imensamente. Quando dizem que nós tutores, que salvamos a vida dos nossos pets, é mentira. É uma recíproca.