Quando a eutanásia é realmente necessária? Quando é inventada pelo veterinário? Quando é realmente para diminuir a dor do animal? Quando é apenas para diminuir a nossa dor ao ver o animal sofrer? Vamos pensar?

Du-vi-do que você também não tenha chorado na cena de capa dessa matéria, a eutanásia do Marley. Muitos dos nossos seguidores nas redes sociais acham que somos contra a eutanásia dos animais (sacrificar). Não somos. Somos, sim, contra desistir antes de tentar. Somos, sim, contra as indicações de eutanásias desnecessárias pelos veterinários. Somos, sim, contra a eutanásia não por causa do sofrimento do animal e, sim, de seus tutores.

 

O veterinário indicou a eutanásia. E agora?

Quando o veterinário indica a eutanásia para o nosso pet doente, eu sei, nosso mundo cai. Como assim eutanásia? Como assim não tem mais jeito? Como assim não tenho mais como ajudar o meu companheiro? Confiamos tanto em nossos veterinários, às vezes de anos, que aceitamos aquela informação… Não é para aceitar. Eutanásia é algo muito sério! E sem volta! Você não pode se dar ao luxo de se arrepender depois porque não tem volta! Então, uma decisão séria dessas não pode ser tomada no calor do momento.

Se vocês já leram a minha história com Petit, sabem que ele não era meu. Era de um ex. Nós tínhamos um veterinário de confiança. Já tinha salvo alguns animais resgatados da cinomose, cuidou da vacinação de todos, quando pegamos Petit filhote, cuidou dele. Petit comeu chumbinho quando filhote. Tinha a certeza que ia perdê-lo. Ele conseguiu salvar. Sem sequelas. Confiava nele. Contudo, ele foi o primeiro a indicar eutanásia para Petit quando, aos 6 anos ele ficou paraplégico. Ele dizia que Petit tinha “arriado os quartos” e não tinha jeito: iria ficar com dor, não tinha tratamento, ou seria sintomático, ele iria sofrer a vida toda. Petit estava sofrendo! Por que eu não iria acreditar nele? Ver Petit sofrer era desesperador!

Mas algum instinto de sobrevivência meu não permitiu que eu fizesse aquilo. Tirei Petit de lá e procurei especialistas. Eles, sim, me deram o diagnóstico correto: hérnia de disco com perda de sensibilidade grau 3, não operável, irreversível. Pensei em eutanásia? Sim. Claro. Quem não pensaria? Até porque nenhum médico me deu esperança. Mas fiz o tratamento para a dor e desinflamar a hérnia. Em 3 dias Petit já mexia o rabinho olhando pra mim. Tem como matar um bichinho com tanta vontade de viver assim?

Com o tempo vi que Petit poderia, sim, se adaptar à vida de cadeirante, arrastante. Ele voltou a ser feliz. Muito feliz! E hoje tem 15 anos de idade. 9 desses anos, como paraplégico!

Petit, com 15 anos, feliz estragando a horta da mamãe. Imagina se ela tivesse aceito a sugestão do médico que, há 9 anos atrás, indicou a eutanásia quando ficou paraplégico?

Petit, com 15 anos, feliz estragando a horta da mamãe. Imagina se ela tivesse aceito a sugestão do médico que, há 9 anos atrás, indicou a eutanásia quando ficou paraplégico?

Com isso tudo, o que podemos sugerir é: se há a possibilidade de tratamento paliativo para dor por exemplo, faça. E procure outras opiniões, principalmente de especialistas. É câncer? Procure um oncologista. É hormonal? Procure um endócrino. É neurológico? Procure um neurologista. E assim vai! Você não aceitaria um diagnóstico terminal para um filho. Com certeza procuraria mil médicos, mil tratamentos. Faça o mesmo por seu pet! Não aceite um diagnóstico só, principalmente se não for especialista!

 

Mas meu bichinho está sofrendo! Não devo fazer?

Não desista antes de tentar! Há tratamentos! Tente! Se eu não tivesse tentado com Petit, ele não estaria vivendo há 9 anos, feliz, paraplégico. Essa fase difícil passa! Tente! Até mesmo doenças que antes os veterinários mandavam eutanasiar sem nem tentar tratar como a cinomose podem ter cura! Já mostramos várias histórias de tratamentos de sucesso aqui na página. A seguir, pra ter uma ideia, a história do Athos, que sobreviveu à cinomose sem sequelas.

 

Tratei meu animal mas ele ficou com sequelas. Será limitado para sempre. Vale a pena?

Você fez um tratamento de hérnia, cinomose, doença do carrapato, lesão acidental, câncer no seu pet. Ele venceu a doença! Mas ficou com sequelas. Jura que você vai desistir agora? Já passou pelo pior! Vocês dois passaram juntos pelo pior! Irá desistir agora?

Sequelas são tratáveis. Já mostramos tantas matérias de casos de sucesso! Os nossos animais de MeuPetEspecial são exemplos que sequelas são tratáveis. Sequelas de cinomose podem ser tratadas, leia a matéria! Paraplegia e tetraplegia também! Então por quê?

E mesmo que não haja evolução no tratamento das sequelas. Inviabilizam a vida e a qualidade de vida do seu animal? Coloque na balança. Animais se adaptam! Mais que nós! Costumamos dizer que se uma pessoa tem que amputar uma perna, ela sofre, entra em depressão, sofre, pode inclusive cometer suicídio por isso. Quando um animal tem que amputar uma perna, ele pode sofrer nos primeiros dias mas logo se adapta e encontra uma forma de ser feliz mesmo sem ela. Temos que aprender MUITO com nossos animais!

 

Diferencie: é ele ou você que está sofrendo? Quem que não está sabendo lidar com a dor?

Frequentemente vemos tutores optando pela eutanásia não porque os animais estão sofrendo, mas porque não querem ver ele sofrer. Recentemente uma blogueira de animais nos relatou um caso típico: um tutor que irá eutanasiar seu cão porque foi diagnosticado com câncer. Ele não quer ver o animal ficar doente, sofrer, morrer. Mas ele está bem agora! Mesmo assim o fará.

Por que temos tanta dificuldade em aceitar que nossos animais podem ficar doentes? É porque não queremos ter trabalho para cuidar? É porque não queremos ter a lembrança do animal correndo feliz em outros tempos, agora quieto, doente.

Você mataria sua filha se ela fosse diagnosticada com câncer terminal? Ou tentaria dar uma vida digna e feliz a ela até quando fosse possível? Por que com animais é diferente? Respeite a doença do seu animal. Fique com ele. Ele ficaria com você! Dê momentos bons a ele, da maneira do possível e até quando for possível.

Pare de olhar para o seu sofrimento. Olhe o seu animal. Ele ainda te ama. Você ainda é a razão para ele viver. Não seja o motivador da morte dele!

Mostramos uma matéria linda aqui de uma família que adotou um gato de 21 anos com câncer terminal, dando a ele a dignidade e a felicidade que talvez nunca tenha tido na vida toda. Leia!

Adotado, a família não sabia quando era o aniversário de Tigger, mas fez uma última festa pra ele!

Adotado, a família não sabia quando era o aniversário de Tigger, mas fez uma última festa pra ele!

 

E quando é a hora? Será que terei que optar pela eutanásia?

Aí chegamos a uma pergunta que realmente me toca: quando é a hora? Quando realmente não tem mais jeito? Quando realmente o sofrimento é tamanho e só irá aumentar? Será que não é melhor esperar o caminho natural? Infelizmente não há resposta pronta.

Há um ano atrás uma gata apareceu em nosso quintal, quase morrendo. Levamos à emergência. Ela estava em choque, em sofrimento respiratório, não respondia aos medicamentos de emergência e continuava a piorar, sofrer. Poderíamos esperar o fim inevitável. Mas optamos por anestesiá-la. Não precisou nem mesmo paralisar seu coração. Apenas a anestesia já foi suficiente para que o organismo dela, já cansado, parasse.

Em respeito aos nossos leitores, essa foto por poder chocar está menor. Essa foi a gata que infelizmente tivemos que eutanasiar. Foi encontrada assim, em choque e pela posição já demonstrava sofrimento respiratório.

Em respeito aos nossos leitores, essa foto por poder chocar está menor. Essa foi a gata que infelizmente tivemos que eutanasiar. Foi encontrada assim, em choque e pela posição já demonstrava sofrimento respiratório.

Mostramos recentemente um caso em nossas redes sociais sobre um caso que aconteceu com a nossa família. Veja o post original. Menina, uma companheira de anos, com câncer terminal. Emagreceu muito, tomava remédios fortes para dor, as vezes resolvia não comer e ficava internada. Até quando levar isso? Até quando é possível?

Olhem essa foto. Notem o olhar essa cadela para a sua tutora de anos. Na foto é a Menina, a minha irmã e sua filha no colo. Essa foto é do dia que foi descoberto um câncer já disseminado pelos órgãos internos, terminal. Sem grandes possibilidades de tratamento, apenas paliativos. Foi indicada a eutanásia. Seus tutores não permitiram e lutaram para restabelecer a qualidade de vida da Menina. Saiu da internação. Está em casa, o local que ela tem como referência segura. Junto com as pessoas que ela aprendeu a reconhecer como líderes e q a ama. Está mais forte, com dor controlada e recebendo amor. Os médicos não acreditavam que ela nem sairia da internação. E essa foto já faz um mês. A ideia é dar amor e dignidade até quando for possível. Talvez chegue a hora de escolher. Talvez Deus escolha por eles. Mas terão a certeza que fizeram, tentaram. Até quando for possível. Até quando Menina quiser. E na foto dá pra ver q com os olhos q ela pedia pra ir para casa. Foi feito

Olhem essa foto. Notem o olhar essa cadela para a sua tutora de anos. Na foto é a Menina, a minha irmã e sua filha no colo. Essa foto é do dia que foi descoberto um câncer já disseminado pelos órgãos internos, terminal. Sem grandes possibilidades de tratamento, apenas paliativos. Foi indicada a eutanásia. Seus tutores não permitiram e lutaram para restabelecer a qualidade de vida da Menina. Saiu da internação. Está em casa, o local que ela tem como referência segura. Junto com as pessoas que ela aprendeu a reconhecer como líderes e q a ama. Está mais forte, com dor controlada e recebendo amor. Os médicos não acreditavam que ela nem sairia da internação. E essa foto já faz um mês.
A ideia é dar amor e dignidade até quando for possível. Talvez chegue a hora de escolher. Talvez Deus escolha por eles. Mas terão a certeza que fizeram, tentaram. Até quando for possível. Até quando Menina quiser. E na foto dá pra ver q com os olhos q ela pedia pra ir para casa. Foi feito

Menina faleceu em casa poucas semanas depois. A família não teve que escolher. Ela mesma resolveu ir embora. No caso dela, a família não teve que escolher. Mas quando escolher? Talvez quando os analgésicos não fizerem mais efeito e o estado seja progressivo e irreversível, é a nossa ideia. Mas converse bem com seu veterinário antes, seus familiares e, mais que qualquer coisa, sinta seu animal. Analise se REALMENTE ele está cansado de lutar. É uma decisão difícil. Não há resposta pronta.

De toda forma, tenha certeza de sua decisão. E, se optar pelo caminho natural e a morte natural, certifique-se que está fazendo todos os paliativos necessários para o não sofrimento do animal até a sua partida. Que seja respeitosa, condizente com a história de amor e companheirismo da vida daquele animal com seu tutor.

eutanasia animais