Mais uma matéria feita a pedidos  dos leitores. Desde que fizemos a página é comum recebermos perguntas sobre as feridas de arraste dos nossos pets especiais, com dificuldades de locomoção. Tentaremos aqui ajudar tirando dúvidas. Qualquer coisa, entre em contato!

Se não fosse todos os problemas da paralisia dos nossos bebês, o arraste pode gerar feridas (que podem evoluir rapidamente). Outro caso é que alguns, por não sentirem as patas, tendem a auto-mutilação! É muito triste! Mas tem como evitar.

Ferida de arraste de um cão especial

Ferida de arraste de um cão especial

Causa e Como Evitar as Feridas

1- Por Atrito

Nossos bebês paraplégicos se arrastam e formam feridas pelo atrito com o chão. Infelizmente é algo que todo animal paraplégico tem que passar pois, por mais liso que o chão seja, faz ferida. Inclusive, chão muito liso é um problema também para eles se fixarem, forçam a coluna para se movimentarem. Mas é o chão liso que causa menos ferida. É o bônus e o ônus…

Petit e Vida, na foto se beijando, só andam em piso liso, dentro de casa. Mesmo assim eles sofrem com feridas de arraste.

Petit e Vida, na foto se beijando, só andam em piso liso, dentro de casa. Mesmo assim eles sofrem com feridas de arraste.

Alguém que não tem animal especial vai logo falar: “mas eles podem ficar na cadeirinha”. Sim, podem. Mas não o dia todo pois se torna incômodo. Além disso, gatos nem sempre se adaptam às cadeirinhas.

Então, para se evitar feridas por arraste, evite SEMPRE pisos muito ásperos. É ferida na certa!!!! Animal paraplégico é dentro de casa, no piso liso!

Vida dormindo. Reparem a pata direita dela, na altura do joelho. Há uma ferida de arraste. Além disso, reparem o joelho inchado. É um hidroma, que falaremos aqui na matéria.

Vida dormindo. Reparem a pata direita dela, na altura do joelho. Há uma ferida de arraste. Além disso, reparem o joelho inchado. É um hidroma, que falaremos aqui na matéria.

Além disso, há alguns utensílios bem legais para se evitar feridas: meias e sacos de arraste. Ambas podem ser improvisadas em casa ou compradas em lojas especializadas, principalmente pela internet. A minha experiência com meias, mesmo presas com esparadrapo não foi muito eficaz pois com o arraste elas saem! Já o saco de arraste é bastante eficaz, embora impeça alguns movimentos dos cães, principalmente nas patas traseiras.

Não quer gastar dinheiro com saco de arraste? Faça em casa! Vamos colocar um link de um tutorial feito por nosso parceiro, o canal Aunimal, em que ensina a fazer um saco de arraste, estrelando a linda cadelinha Alê.

Saco de arraste vendido em sites de lojas especializadas.

Saco de arraste vendido em sites de lojas especializadas.

Outra dica que eu dou é: gaze, atadura e esparadrapo. Use em áreas do corpo do seu pet que arrasta: como as patas e joelhos. Protege, é barato e eficaz!

 

2 – Higromas e Escaras

Os hidromas, ou higromas, são tumores de líquidos. Não se assuste com a palavra tumor! Não é maligno! No caso dos nossos animais especiais, os hidromas surgem geralmente por uma pressão grande sob uma parte do corpo. No caso da foto da Vida, a posição de arraste dela é em cima do joelho da pata. Ou seja, o peso do corpo dela fica no joelho, o que sobrecarrega o local, causando um inchaço, acúmulo de líquido.

Higroma em um cão

Higroma em um cão

O tratamento para o higroma pode ser punção do líquido, uso de medicamentos anti-inflamatórios (ou outros métodos locais não farmacológicos como laser ou ozônio) ou cirurgia.

 

As escaras também ocorrem por compressão. Os cães paraplégicos ficam muito tempo na mesma posição, comprimindo uma mesma parte do corpo e, muitas vezes uma área não preparada para receber aquela compressão. É comum em indivíduos magros. Foi o caso da Vida, assim que foi resgatada e ficou paraplégica. Na foto a seguir (menor em respeito aos leitores, mas se quiser aumentá-la é só clicar na imagem), pode-se ver a escara na região do “bumbum” da Vida, antes e após o tratamento. O tratamento das escaras falaremos posteriormente na matéria.

Escara nível 3 (que dá pra ver até o osso) na Vida, antes e durante o tratamento.

Escara nível 3 (que dá pra ver até o osso) na Vida, antes e durante o tratamento.

 

3- Por auto-mutilação

Animais paraplégicos podem ter esse hábito ruim: a auto-mutilação. Não se sabe ao certo por que eles fazem isso mas há hipóteses de que, como o animal não sente aquela parte do corpo, entende como sendo um “peso morto” e a come. A auto-mutilação pode se dar espontaneamente ou em decorrência de uma ferida de arraste: o animal sentindo a ferida, pode querer eliminar aquele membro comendo-o.

Os animais que tendem esse comportamento precisam, infelizmente, usar o colar elisabetiano, o famoso “cone da vergonha”. Ou o saco de arraste ou roupinhas podem ser uma solução, mas alguns chegam a morder e estragar a roupinha para fazer a auto-mutilação. Tratamentos com florais, acupuntura entre outros podem ajudar.

 

Tratamento das Feridas

O tratamento para as feridas depende muito da gravidade da mesma. Geralmente o tutor paraplégico já tem a sua pomadinha cicatrizante em casa, para as feridas do dia-a-dia. Contudo, feridas maiores e mais profundas muitas vezes necessitam, além de pomada cicatrizante, uma pomada antibiótica e antifúngica. Ou mesmo pode-se lançar mão do uso de medicamentos orais!

Somos contra a auto-medicação. Por isso nunca informamos nomes de remédios utilizados. Procure o veterinário de confiança e busque com ele uma pomada para se ter em casa para as feridas do dia-a-dia. Para feridas maiores, mesmo tendo pomadas em casa, deve-se buscar orientação profissional!

Uma boa notícia para os tutores de primeira viagem de pets paraplégicos é que o corpo de adapta! Você já deve ter notado (e muito!) isso no seu animalzinho especial: a sua capacidade de adaptação. Pois é! O corpinho dele também se adapta à essa nova condição de arraste. Geralmente, com o tempo e o atrito, agressão e feridas constantes na área, o corpo forma calos protetores. Ou seja, o próprio corpo torna a pele da região mais resistente ao atrito, causando menos feridas. É o caso mostrado no rabinho do cachorro especial da nossa leitora Jenny Graziela: vários calos nas regiões das vértebras ocasionados pelo arraste.

Foto mandada por nossa leitora, mostrando os calos e higromas no rabo do seu pet especial.

Foto mandada por nossa leitora, mostrando os calos e higromas no rabo do seu pet especial.

 

Bem, gente, espero que tenhamos ajudado a tirar algumas dúvidas e acalmado o coração aflito comum a todos nós: tutores de pets especiais. Tem sugestões de matérias? Mande pra gente no fale conosco!