Relato de Rômulo Lima sobre o gatinho que adotou a família dele… e eles o adotaram de volta! E a descoberta sobre ele ser FIV+, doença análoga à AIDS humana. A história mostra o quanto é necessária a troca de informações entre tutores de pets especiais. Por isso nossa página existe!

Minha história seria comum se não fosse por um pequeno detalhe: FIV+ em um gatinho sialata (siamês com vira-lata) chamado Joaquim, Quinzinho para os íntimos.

Moro em um apartamento e na época estava com três gatos em casa: duas fêmeas – Mel e Minie – e um machinho – Tom. A princípio o Tom seria nossa última adoção. Mas as coisas não ocorrem exatamente como planejamos, ne?

Um gato estava rondando nosso prédio há um tempo e ficava miando sempre lá de baixo para chamar por outros gatos (principalmente pelas minhas duas filhas lindas) e em busca de comida. Minha vizinha do segundo andar estava colocando comida e água pra ele e passei a fazer o mesmo, sendo que outro vizinho do primeiro andar, que não gosta de animais e começou a implicar com nossa atitude e passou a reclamar, e mal-tratar o gatinhol.

Ele passou a confiar um pouco mais em mim e nessa minha vizinha que começou a se afeiçoar a ele. Ela tinha uma cadelinha em casa e estava com medo de levar mais um animal pra casa. Mesmo com as dúvidas ela o adotou e ficou com ele durante quinze dias e deu-lhe o nome de Joaquim. Nesse período ele se adaptou muito bem a cadelinha e aos novos papais mas minha vizinha tinha uma alergia muito forte a gato e quase ficou sem respirar devido a alergia. Infelizmente o castelo de felicidade do Joaquim desmoronou e ela o colocou na rua novamente.

Dá pra resistir?

Dá pra resistir?

Ela tentou adoção com amigos através do face, porém não conseguiu. Ele ficou uma semana fora, tempo suficiente para brigar com outro gato que estava nas redondezas, o que o deixou muito machucado. Numa noite chuvosa senti um grande aperto no coração ao vê-lo da minha janela do terceiro andar andando sem rumo e no frio, imaginando porque tinha sido devolvido pra rua. Chorei como criança e decidi com minha esposa que queria adota-lo, mesmo sabendo que não poderíamos arcar com mais esse gasto. Na tarde seguinte subimos com ele para o nosso apartamento e com o auxílio da anterior tutora que acabou tornando-se sua madrinha, viemos com ele pra casa e o apresentamos ao seu quarto. Decidimos deixar ele isolado para que os outros pudessem se acostumar com sua presença, seu cheiro, sem contar que não sabíamos se ele tinha alguma doença que pudesse pôr em risco nossos outros filhos de quatro patas.

Minha esposa logo notou um odor muito forte de coisa podre vindo do Joaquim, e não deu outra: suas duas unhas das patinhas dianteiras como se fosse o “dedão” estavam arrancadas e com um buraco, o que poderia gerar uma infecção, sem contar nos arranhões na cabeça, o ouvido todo sujo e o pêlo encardido coitado (ele chegou em petição de miséria). Levamos ao veterinário que prescreveu remédios para o ouvido com otite e para as patas inflamadas. Fomos soltando ele aos poucos para que sua presença não fosse estranha aos outros. Então ele ficava solto de dia e a noite ia pro quartinho dele. Tivemos que levá-lo a outra consulta por causa de um problema a na gengiva que o impedia de comer. Foi então que a veterinária, depois de realizar todos os exames clínicos, sugeriu que testássemos Joaquim para saber se ele tinha FIV ou Felv.

Ficamos sem chão ao saber que ele era FIV+ ou seja, ele tinha Aids felina. Choramos muito e ficamos preocupados pois achávamos que era sua sentença de morte, pois sabíamos pouco a respeito da doença e ficamos com medo de ele transmitir a doença para os outros três. Essa veterinária sugeriu que ele ficasse isolado, e assim o fizemos, sempre dando atenção e carinho porém algo faltava na vida do Joaquim: a socialização com os outros. Ele engordou muito, ficava arredio a carinho, tinha medo de tudo. Foi quando passamos a ler e pesquisar mais sobre a doença e entrar em contado com outras pessoas que tinham gatos com o mesmo problema. Descobrimos que ele poderia sim viver normalmente entre os outros gatinhos desde que não houvesse contato com o sangue dele através de mordidas. Ele passou a se soltar mais, emagreceu, aprendeu a brincar, a amar e ser amado. Hoje ele busca carinho, conversa conosco, olha sempre em nossos olhos quando falamos com ele e está sempre nos esperando na porta quando voltamos pra casa. Nosso Joaquim é um doce por isso ele é nosso petespecial.

Joaquim lindo brincando com seus amigos e levando uma vida normal

Joaquim lindo brincando com seus amigos e levando uma vida normal