A mielopatia degenerativa é uma doença grave, progressiva e sem cura que atinge cães de médio, grande porte e gigantes. Embora muitos digam, não é uma sentença de morte. O importante aqui é conhecer para dar qualidade de vida!

Recebemos a história linda da Michelle e seu cão Thor, portador de mielopatia degenerativa. Nos apaixonamos, obviamente… E notamos que não temos uma matéria sobre a doença, comum em cães de grande porte adultos. Trata-se de uma doença grave e progressiva, sem cura. O diagnóstico geralmente é um soco na boca do estômago, sabe? Mas é nessa hora que devemos buscar informações para não tomar decisões erradas e dar a melhor vida possível para seu cão.

Obs: Ficou curioso com a história do Thor? Terça a noite, dia 21 de agosto, iremos lançá-la na página. Fique de olho!

 

Mielopatia degenerativa: o que é?

“Que nome mais complicado! Deve ser uma doença grave!”. Na verdade, é sim. Trata-se de uma doença degenerativa ou seja, progressiva. Por motivos ainda pouco explorados ocorre a desmielinização das células do sistema nervoso do cão. O que é isso? As células do nosso sistema nervoso são cobertas por uma proteína chamada mielina, que garante que as informações sejam mandadas do cérebro para o músculo da perna, por exemplo, e faça com que a perna se mexa. Quando a mielina é agredida, a informação que parte do cérebro não chega onde deveria chegar, não possibilitando que a perna se mexa.

A mielina protege a informação do neurônio, permitindo que ela chegue ao seu destino. Quando não há a mielina, a informação não chega, não se promove a ação. Imagem: © MARIE SCHMITT/BSIP/KEYSTONE

A mielina protege a informação do neurônio, permitindo que ela chegue ao seu destino. Quando não há a mielina, a informação não chega, não se promove a ação.
Imagem: © MARIE SCHMITT/BSIP/KEYSTONE

O grande problema é que não necessariamente a informação é para mexer a perna… Pode ser a informação de respirar, por exemplo.

A mielopatia degenerativa em cães assemelha-se a esclerose múltipla em humanos, caracterizada também pela perda de mielina. Assim como no caso da esclerose, possivelmente o que ocorre é um erro no seu sistema imunológico que começa a atacar estruturas do seu sistema nervoso. Mas por quê? Em ambas as doenças não se sabe ainda.

No caso da mielopatia degenerativa há estudos internacionais demonstrando que a mutação de dois genes seriam a causa da doença. A identificação precoce desses genes mutados poderia ajudar no tratamento, antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Contudo, ainda está em fase de estudos.

 

Quem pode ter?

Cães adultos, principalmente após os 6 anos, de médio, grande porte ou gigantes. Contudo há casos de aparecimento até mesmo em filhotes. Era bastante comum em cães da raça do pastor alemão, mas não é exclusivo da raça. Também é comum em Boxer e uma raça de pequeno porte, Corgi.

 

Quais os sintomas?

Os primeiros sintomas começam com problemas de locomoção: um desequilíbrio, uma perna meio desengonçada, andar com dedos cruzados… Progressivamente os sintomas se agravam e o cão para de andar com as patas de trás, fica paraplégico. Mas os sintomas podem evoluir a ficar tetraplégico, não fazer xixi ou cocô sozinho. Pode evoluir rapidamente causando o óbito em menos de 1 ano após o diagnóstico. Mas não é tão assim também, como vamos ver…

Thor, que inspirou essa matéria, já tem 2 anos de diagnóstico e está muito bem, segundo sua família.

Thor vive bem mesmo dois anos após o diagnóstico.

Thor vive bem mesmo dois anos após o diagnóstico.

 

Diagnóstico

O diagnóstico na maioria das vezes é presuntivo ou seja, não se tem certeza absoluta. O diagnóstico, então, se baseia em exame neurológico, exame de sangue, coleta de líquor e exames de imagem que vão desde a radiografia simples, miolografia,  ressonância, tomografia, com confirmação com histopatologia.

 

Tratamento

O tratamento para a mielopatia é dar qualidade de vida para o animal e tentar retardar a evolução dos sintomas. Contudo, todos esses não curam nem barram a evolução da doença.

Mas não se desanime com isso. Mielopatia é uma doença que tem a eutanásia indicada pela maioria dos veterinários. Contudo, qualidade de vida e aceitação das novas realidades são tudo. Esclerose múltipla (em humanos) também não tem cura. Os tratamentos também visam a diminuição da progressão da doença e qualidade de vida. Por que para animais é indicada a eutanásia (e na maioria das vezes é feita sem nem tentar o tratamento), mas em humanos nem se pensa na possibilidade?

O tratamento da mielopatia degenerativa baseia-se em: 1) exercícios; 2) tratamento suporte; 3) tratamento medicamento; e 4) minimização do estresse; 5) qualidade de vida.

 

1- exercícios

Os exercícios devem ser em dias alternados para estimular a musculatura e as ligações nervosas. Massagens e eletroestimulação também podem auxiliar. Fisioterapia e o uso de bandagens podem ser bastante benéficas. A estimulação física e mental poderá diminuir a progressão das sintomas.

Matilde fazendo estimulação com acupuntura na sessão de fisioterapia. Foto: instagram @yangvet

Matilde fazendo estimulação com acupuntura na sessão de fisioterapia.
Foto: instagram @yangvet

 

2- tratamento suporte

Suplementação de vitaminas E e C podem ser prescritas pois elas são anti-oxidantes e diminuiriam a agressão à mielina e, consequentemente a progressão da doença. Alimentação natural com orientação de nutricionista veterinário também podem ser indicada.

 

3- tratamento medicamentoso

Inicialmente o tratamento é com corticóide, o que ajuda no diagnóstico da doença e pode regredir parte dos sintomas. O tratamento de suporte é feito com ácido aminocaproico e N-acetilcisteína.

Há tratamentos não convencionais, como o realizado pelo Thor (e que melhorou muito os sintomas dele, aguarde a matéria!), com derivados da maconha medicinal, o canabidiol.

 

4- Minimização do estresse

O estresse está intimamente ligado à evolução da doença. Por isso, tudo que for possível para diminuir situações de estresse e melhorar a qualidade de vida do animal, melhor. Carrinhos de passeio de paraplégicos ou tetraplégicos ou de inválidos podem oferecer a oportunidade do cão, mesmo debilitado, sentir-se cão novamente: saindo pra passear, cheirando outros cães, lugares, etc.

 

5- Qualidade de vida

Nesse tópico reafirma-se a necessidade dos tópicos anteriores. Ou seja, tudo deve ser pensado na qualidade de vida do animal: reforço muscular, diminuição de dor, passeios, brincadeiras, etc. É possível manter uma qualidade de vida em cães com mielopatia, dar uma vida digna a eles. Até quando? Não se sabe. Mas o importante na vida não é onde se chega e sim a vida que se leva. Todos nós chegaremos à morte. A questão é como lidamos com a vida. Não desista do seu cão. Ele pode viver bem e ser feliz com mielopatia, mesmo em estágios avançados.

 

Meu cão foi diagnosticado com mielopatia degenerativa! O que fazer?

Sabemos que até a chegada do diagnóstico você deve ter sofrido bastante, exatamente porque o diagnóstico não é fácil de ter (muitos exames, muitos especialistas, etc). Assim como, antes do diagnóstico sempre temos a esperança que seja uma bobagem que um remedinho cure… O diagnóstico de uma doença degenerativa, progressiva, sem cura e com péssimas perspectivas é realmente um baque muito grande.

O importante agora é procurar tratamento e opiniões de especialistas e informação. O desconhecido dá medo. É muito mais fácil pra um veterinário que nunca teve um caso de mielopatia, apenas estudou na faculdade, dizer que o indicado é a eutanásia. Especialistas lidam com essa doença com mais frequência, sabem na prática o que pode dar certo e o que não pode. Eles podem te orientar. Procure neurologistas, fisioterapeutas, acupunturistas, ozonioterapeutas, nutricionistas… eles podem te ajudar! Não aceite apenas uma opinião, um tratamento.

Não desista antes de tentar com seu animal. Tente! É possível ter qualidade de vida. É possível ele ficar bem e feliz em sua nova condição de cadeirante. Thor, por exemplo, após acertar o tratamento ideal pra ele, vive bem há dois após o diagnóstico!

E leve com dignidade até quando for possível. Não desista antes de tentar. Ele não desistiria de você.