Cinomose é uma doença terrível para cães. Mata até 80% dos doentes! E os que sobrevivem podem conviver para sempre com sequelas. Veja exemplos de quais são e como tratar. 

Cinomose é uma doença causada por vírus que acomete principalmente cães. É transmitida por líquidos de animais contaminados: saliva, secreções respiratórias, fezes, urina, sangue, placenta. Os sintomas são classificados em não neurológicos e neurológicos. Fizemos uma matéria especial sobre cinomose. Leia!

É uma doença séria e crescente! Há muitos casos atuais de cachorros vacinados que desenvolveram a cinomose. É assustador! E está crescendo também os casos de cinomose com sintomatologia atípica, o que dificulta o diagnóstico.

A cinomose é letal para até 80% dos cães que desenvolvem a doença. Pra vocês terem uma idéia do quanto isso é alto e desesperador, a febre amarela – que estamos falando muito atualmente por estarmos em epidemia e ser uma doença considerada muito letal – ela tem mortalidade de até 40%. A mortalidade da cinomose em cães é o dobro!

Mas vamos considerar os 20% que conseguem sobreviver à cinomose. As sequelas da doença podem ser muito graves: vão desde a tetraplegia até pequenas contrações involuntárias. As sequelas são as mais diversas, não tendo um padrão.

O objetivo dessa matéria não é – de forma alguma – assustar e, sim, dar informações de o que você pode esperar ou investigar em seu cão e o que pode ser feito para tratar, PORQUE HÁ TRATAMENTO! Se ele já venceu a cinomose não desista dele por causa de sequelas que podem ser tratadas! Todas as histórias contadas aqui são de vencedores da cinomose e de muitas sequelas.

Vamos aos exemplos…

 

Perda de cognição, alterações de equilíbrio e locomoção

A cinomose é uma doença cruel: causa encefalite aguda e intensa, o que é a principal causa de morte ou eutanásia. Porém essa inflamação no cérebro, quando não letal, pode causar sequelas, que são as mais variadas. Pode causar perde de memória, o que pode levar o cão a não reconhecer mais o dono. Além disso pode causar alterações de personalidade e humor, diminuição da inteligência, entre outros. Uma seguidora nos relatou que sua cachorra como sequela da cinomose parou de a reconhecer, a sua tutora, e mudou padrões de personalidade.

Enzo, que vocês acompanharam nas nossas redes sociais, tem atrofia do cérebro, provavelmente causada por cinomose. Não sabemos porque ele foi abandonado. Os sintomas que ele tem incluem perda de equilíbrio, fraqueza muscular generalizada, o que gera quedas muito grandes. É um caso semelhante ao Black, da seguidora Williane, que teve como sequela a falta de coordenação motora e epilepsia.

O Black ficou com falta de coordenação motora e epilepsia como sequelas da cinomose que pegou quando filhote.

O Black ficou com falta de coordenação motora e epilepsia como sequelas da cinomose que pegou quando filhote.

 

Mioclonia: os “tiques”

A cinomose pode causar contrações involuntárias repetidas, os “tiques” ou mioclonia. Ocorre ainda na doença e pode permanecer como sequela. É o tipo de sequela MAIS COMUM para a cinomose. Veja o vídeo no final da matéria.

O problema desses “tiques” é que podem causar problemas articulares, luxações, perda de função de membros, dificuldades digestivas e respiratórias, dependendo dos músculos envolvidos. Na boca, por exemplo, pode causar problemas dentários e articulares na mandíbula. Em músculos pélvicos pode causar incontinência urinária ou problemas digestivos. Nas patas pode causar perda de função, artrite, dores.

Muitos tutores aceitam a mioclonia como sequela inofensiva da cinomose. Não é! O máximo que puder ser feito para diminuir essas contrações, melhor.

Os espasmos podem ser tão violentos que podem dificultar e impedir movimentação do cachorro ou o não descanso do mesmo, não conseguir dormir direito.

 

Paralisia, paraplegia e tetraplegia

Outra sequela bem comum da cinomose é a paralisia de membros ou músculos. É bem comum o animal sair da cinomose paraplégico (sem movimentos das patas de trás) ou tetraplégico (sem movimentos do pescoço para baixo). Muitos desses quadros são reversíveis! É o caso da Sasha, que fizemos campanha na página e logo virará matéria aqui no site também. A Sasha saiu da cinomose tetraplégica. Ia ser eutanasiada por isso! Mas foi resgatada, estimulada e tratada e hoje voltou com todos os movimentos. Anda quase normal (veja video ao final da matéria).

Sasha ficou tetraplégica por causa da cinomose. Com o tempo foi ganhando os movimentos novamente. Hoje anda quase como uma cachorra normal.

Sasha ficou tetraplégica por causa da cinomose. Com o tempo foi ganhando os movimentos novamente. Hoje anda quase como uma cachorra normal.

A paralisia pode ser em diversos locais. Aqui falamos mais nos membros mas há relatos de paralisia nos músculos da face, exigindo alimentação em seringa. Há também paralisia dos esfíncteres, causando incontinência. Ou paralisia da musculatura do intestino, exigindo lavagem e estimulação periódica para fazer cocô. São várias as possibilidades de sequelas uma vez que a doença é sistêmica.

 

Convulsões

Infelizmente essa é uma das sequelas bem comuns e ruins para o cão. As convulsões quanto mais frequentes e fortes, mais perigoso para o cão, podendo ser fatal. As convulsões podem ser controladas com medicamentos, acupuntura, implante de ouro em pontos de acupuntura e implante de células tronco. Essas medidas podem ter bastante êxito e fazer com que o animal controle bem  as convulsões.

Podemos citar como exemplo o famoso Cãozinho Gui, que logo logo contaremos a história aqui no site também. O Gui, como sequela de cinomose tem atrofia em uma das patas, paraplegia e mioclonia. Além disso, sofre de convulsões. Faz uso de medicamentos, já fez acupuntura e implante de ouro mas nada controlava. Implante de células tronco ajudaram nas crises.

Cãozinho Gui tem como uma das sequelas da cinomose as convulsões.

Cãozinho Gui tem como uma das sequelas da cinomose as convulsões.

Temos uma matéria especial sobre convulsões e epilepsia em animais. Leia mais!

Problemas oculares e na visão

A visão e os olhos são orgãos bastantes acometidos pela doença. Um dos sintomas da cinomose, inclusive, é a conjuntivite seca. Então, sequelas nesse órgão são bem comuns. Lucky, por exemplo, que sua tutora Maíra nos mandou a história, teve como sequela o não lacrimejamento dos olhos. Ou seja, os olhos sem líquidos lubrificantes ficam secos. Ela tem que colocar um gel várias vezes ao dia nos olhinhos dele. Além disso, ele perdeu parcialmente a visão. Ainda vê, mas pouco. Se não tivesse sido cuidado, seria cego.

Lucky e seus olhos ressecados e baixa visão, sequelas da cinomose.

Lucky e seus olhos ressecados e baixa visão, sequelas da cinomose.

A cegueira é uma sequela bem comum da cinomose. Uma das causas é a dilatação da pupila que a cinomose causa durante a manifestação da doença. Se o cão com a pupila dilatada ficar em ambientes com muita luz pode queimar a retina e causar a cegueira.

Uma complicação que pode acontecer com a conjuntivite da cinomose é a úlcera de córnea, que pode ter difícil tratamento aliando mais de um colírio.

Alterações respiratórias

Uma sequela comum da cinomose é a pneumonia, que pode ser tratada e curada. Contudo há relatos de cães que ficam mais predispostos a desenvolver pneumonia mesmo após muito tempo de cura da cinomose. Há também relatos de cansaço rápido, dificuldade respiratória, roncos pesados e dispinéia do sono.

Muitos permanecem por longos períodos após a cura da cinomose com bastante secreção nas vias aéreas inferiores e superiores, o que pode dificultar bastante a respiração e favorecer as pneumonias que já citamos.

Entre os espasmos, a mioclonia, comum de sequela de cinomose, pode haver espasmo do diafragma, o que pode gerar soluços constantes.

Alterações na dentição e gastrointestinais

Já falamos algumas alterações gastrointestinais decorrentes de paralisias, que podem gerar incontinência ou constipação. Além disso, uma sequela bem comum da cinomose é a gastrite, que pode gerar úlceras, o que atrapalha toda a recuperação do animal pois ele vomita e não consegue se alimentar devidamente. A úlcera e gastrite podem ser tratadas facilmente após a cinomose com protetores e seladores gástricos.

A Thyna, por exemplo, da nossa seguidora Letiane, teve como sequelas da cinomose, além da tetraplegia (que atualmente está bem melhor), convulsões. Mas aqui chamo atenção para a paralisia da mandíbula que faz com que sua tutora tenha que alimentar a Thyna com seringa.

Thyna, com sua amiga gata. Dentre as muitas sequelas que apresenta da cinomose, tem paralisia de mandíbula.

Thyna, com sua amiga gata. Dentre as muitas sequelas que apresenta da cinomose, tem paralisia de mandíbula.

Durante as crises da cinomose é descrito o enrijecimento da mandíbula, o que pode gerar como sequelas prejuízos à dentição: quebra de dentes, má oclusão, dificuldades na mastigação. Além disso pode haver espasmos na boca, o que pode dificultar a deglutição. Há relatos de, se a cinomose for contraída ainda filhote, o cão ter ausência de alguns dentes ou dentes mal formados, pequenos, frágeis.

Adones perdeu os dentinhos quando pegou cinomose.

Adones perdeu os dentinhos quando pegou cinomose.

Uma outra possível sequela da cinomose é o prolapso retal, quando parte do reto fica externalizada pelo ânus. Com a diarréia da crise de cinomose pode-se causar o prolapso. Contudo, o Enzo por exemplo (se ele teve cinomose e se isso é sequela da cinomose) tem prolapso de reto como sequela crônica. Ele já operou o prolapso fazendo bolsa de tabaco mas ele faz força para evacuar, a ponto de os pontos romperem. Desde então, ele continua fazendo prolapso. Médicos dizem que pode ser possivelmente por fraqueza dos músculos que “seguram” o intestino ou também hipercontração e reflexo de evacuação. Não se sabe. Sabe-se que ele faz. E muito. E não se sabe se é sequela de cinomose.

Prolapso de reto no Enzo. No caso dele seria sequela de cinomose?

Prolapso de reto no Enzo. No caso dele seria sequela de cinomose?

Como visto são muitas as possíveis sequelas de cinomose. Você tem conhecimento de alguma não relatada aqui? Nos mande uma mensagem! Esse artigo é colaborativo: é uma “conversa” entre nós, tutores de animais.

Mas repetimos que todas as sequelas podem ser tratadas, há muitos casos de sucesso de animais que ficaram cheios de sequelas e depois venceram uma a uma. Acupuntura, medicamentos, fisioterapia, células tronco são técnicas muito benéficas para esse tratamento. E amor. Muito amor!

Fonte da foto de capa: ANDA, agência de notícia dos direitos dos animais.